domingo, 6 de março de 2011

Pombos.

Queria poder fazer um poema capaz de descrever a noite passada
(Digo, essa noite, estranha, que ainda não passou)
Mas acho que não poderia...

§ 1. pois (qual janta ao meio-dia...?)
não sei mais QUEM ou o QUÊ sou

...Sim,
Tentarei
Claro
Vou
Mas, certamente
Não terei sucesso
Bom...
Mesmo assim –

A noite foi:
Tal vôo raso
Longa
Espessa
Sombria
Fria
Ruidosa
Cheia de luz, rosas
Sombras e poças
Longa...,
Mas, incrivelmente
Muito mais curta do que deveria

Sendo assim, vale um poema, claro. Mil poemas...
Digo... Mil dezenas deles

Se até
um tal senhor Índio
de cavanhaque
Segurança dum bar
(de putas)
Vale,

   Que dizer então do profético(?)poético encontro de dois pombinhos urbanos tristonhos, cada um vindo dum lugar mais caótico e escuro que o outro, ocorrido dentro dum carro quase uma abóbora ou abóbada celeste com espaço interno prum imenso ninho sem filhotes...?

. . .

   Estes "pombos"… Bom, O.K.... "Vestiam-se" assim:

Pombo A - Usando barba e roupa xadrez velha da oitava série, puída sem parecer, calça jeans, semblante triste

Pombo B - Calçando botas de couro sintético com zíper e um meio-vestido cinza, e portando um olhar verde e profundamente arrebatador

Pra "sorte"de A,
B alegou, a alguma hora, gostar de barba –
Mesmo que barba (bigode, na verdade) pinique o rosto inclusive de quem beija
– e, com isso, implicitamente, talvez, de toda essa gente maluca que usava barba e bigode
Ademais, levava o livro dum cara estranho na bolsa
(Que também devia ter barba supondo que todas as pessoas tristes tenham (tido) barba)
(E que talvez fosse gay e punha cerveja gelada na testa às vezes)
E algum interesse por romances (reais) de uma tal mulher
Mexicana (?)
A tal da Frida Kahlo
Conhecida bem mais por seu buço que por seus quadros
Que transou, disse, com um russo revolucionário
...Por afinidade ideológica, claro

Nada tão óbvio que pudesse ser sentido
Na lógica sem sentido do momento
Pequenos romances quiromânticos
Cabelos
Olhos fechados
Beijo

- - -

(No caminho de volta:
Velocismo, atropelamento, (de faixas, cones e marcadores) histórias-da-carochinha, (contadas pelo tal do "Índio") bêbados e gentes gastas e bastante perdidas no meio da vi(d)a.)

Antes:
O citado

Depois:
O menino excitado

. . .

Umas 8 horas depois,
Às 6:11 da manhã seguinte
Umas quatro horas sem-sono depois de chegar em casa
Aquele que chamei de "Pombo A" encontra-se ainda dentro duma tempestade isolada
Gerada entre o que se disse e o que se evitou de dizer;
...Corroboram à imagem: o mar de roupas coloridas no chão
O maremoto de odores em suas mãos
E alguns ruídos lá fora e sombras protusas no guarda-roupa

Sim,
A noite foi
Tudo o que se insinou
E, pelo jeito,
enfim,
Ainda não terminou

(Quanto a esse poeminha... Nunca é o suficiente...)

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