sábado, 5 de março de 2011

O Homem que ri.

Um homem organicamente ri talvez para espantar a morte que já inclina-se sobre sua cabeça e sobre sua carcaça.
Ri bastante, de alguma piada televisiva meio sem-graça...
Seus quase 50 anos não mentem –
Esse cara não cuidou suficientemente do corpo, não o quanto "devia."
É um certo tipo de guerreiro moderno, talvez viking, apenas por ainda estar vivo.

Nessa de rir expansivamente, o esforço que faz é involuntário...
Mas, ainda assim, é um grande esforço.

Tanto que o seu amplo corpo, desacostumado com tantas contrações musculares espásmicas e tão amplas acaba por se "revoltar", exprimindo esta revolta toda em tosses molhadas, guturais e meio grotescas.

O menino tecla, o homem tosse, a mulher ri.

A tosse sai veloz, junto com gotículas de baba que ora não fedem a álcool. (Possivelmente.)
Sua esposa, saudável aos 50, ri inocentemente, junto com o riso/tosse que explode em gotículas ao seu lado. O programa que passa da sua época. (De ambos.) O humor antigamente era visivelmente mais inocente e mais escrachado, o que conive um pouco com a inocência do riso da mulher, e com essa tosse escrachada do homem. O homem logo deixa de tossir. E o menino logo para (de/para) registrar tudo.

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