4ª ida ao banheiro...
Estávamos eu, Cavi e Pitt num certo buteco de esquina que tinha um banheiro com uma torneira sem água e apenas um mictório, sendo que se você quisesse cagar tinha que ir ao (banheiro) feminino ou largar um lá no meio daquela porra onde nem tinham umas bolinhas de naftalina ou alguma pedrona de gelo, o que nenhum de nós fez, mas que provavelmente deveríamos ter feito.
Então, lá pelas minhas tantas subidas à “casinha” – digo subida, pois tinha que se subir uma escadazona de degraus íngremes pra se chegar até lá (alguma tentativa de se evitar casos de estupros no banheiro feminino, imagino) –, dei de cara com Cavi trocando idéia com um cara que estava mijando ou cagando no mictório; os dois separados apenas por aquela portinha que era tipo uma meia porta de saloon de filme de faroeste e que batia na altura do peito dos dois (no meu caso ia até a altura dos meus cabelos arrepiados com gel).
O cara que mijava era fotógrafo do Matanza, banda de rock-metal-sujo-poser escrachado que faz pose de motoqueiro-bêbado-sujo-cabeludo-fedido e burro, coisa muito poser, ultrapassada e nada verdadeira da parte deles, eu andava achando principalmente depois de ter ouvido de Pitt que um amigo de um amigo dele tinha lhe confidenciado que Jimmy – que é o vocalista malvadão desta banda completamente original – não colocava uma gotinha de álcool na boca.
Então, claro que eu tive que trazer o assunto à tona.
“Quê? O Jimmy não bebe??”, perguntou o fotógrafo que se parecia com um skatista viciado em crack e cola de sapateiro, um tanto pachorrento e meio bêbado.
“É”, disse eu, nada pachorrento, fingindo algum blaseísmo ou apenas sendo Guilherme Sakuma, como sempre, e não muito bêbado, mas ficando.
“Neguinho, quem te falou isso?”, falou, saindo e amarrando o cordão da bermuda de viciado de crack que anda com um cobertorzinho cinza pra lá e pra cá, mordiscando um pedaço de pão amanhecido.
“Um cara aí; um jornalista.”
“Eu sei, mas qual é o nome do cara?”
“Protejo as minhas fontes.”
“Mano... O Jimmy bebe pra CARALHO!”, protestou, meio que com uma inclinação corporal que poderia significar um soco iminente.
“Ah, tá bom então”, disse eu, achando que ele iria se sair com um soco em câmera lenta que ia acabar atingindo a parede do lugar ou a minha cara.
Nisso Cavi falou algumas coisinhas também, não lembro o quê – mas algo elogiando o trampo dele (do fotógrafo). Eu também entrei nessa onda e ficamos os dois passando a mão na cabeça (na de cima, bem entendido) daquele adorável cara que provavelmente não tinha tido amor suficiente na infância, assim como a maioria das pessoas.
“Essa escada é foda”, comentou enquanto descia os vertiginosos e irregulares degraus, satisfeito por todos termos concordado que Jimmy do Matanza era foda pra caralho...
“Sim, man, escadinha filha da puta”, atestei.
“Podes crê”, acrescentou Cavi, que agora era quem estava mijando.
Assim que o genial fotógrafo sumiu do meu campo de vista, logo tratei de fazer a minha cara de quem não acredita muito em nada, e comentei:
“Cavão, acho que esse cara tá viajando na batatinha.”
“Como assim, Sakumão?”
“Acho que ele não fotografa porra nenhuma além da própria cara; tipo aquelas fotos estúpidas que neguinho tira em frente ao espelho, segurando a porra da câmera e fazendo uma pose estúpida, depois postando no facebook, orkut ou sei lá o quê.”
“Cara, porque cê acha isso?”
“Porque o cara era um fodido.”
“Como assim?”
“O cara parecia um usuário de crack.”
“Muitas pessoas parecem.”
“Sim, mas ele principalmente.”
“É, mas muitas vezes esses caras parecem assim... Acho que esses caras não ganham muita grana.”
“Será?”
“Sim, cara... Acho que sim.”
Depois foi a minha vez de mijar, o que fiz ficando na pontinha dos pés, com todos esses meus 1,56 de altura de garota ginasta que tomou remédio pra não crescer, me esforçando pra não encostar a pontinha do meu caralho naquele troço todo mijado e que provavelmente estava fedendo muitíssimo, coisa que eu teria sentido (e muito) se não estivesse já naquela fase em que fico tão insensível como qualquer outro ser humano que não sente muita coisa, digo, 99% da população.
8ª ida ao banheiro...
Estávamos eu, Pitt e Cavi na fila do banheiro. Enquanto esperávamos, nos abraçávamos e fazíamos “toca aí”, tendo nossos cigarros (eu e Pitt) no canto da boca ou entre os dedos, sem querer às vezes abrindo buracos nas roupas dos outros e tudo o mais; Cavi comendo uma cenoura ou alguma barra de cereais com o prazo de validade vencido, coisa que era bem a cara dele.
Foi bem aí que apareceu na cena um cara com uma camisa branca puída e de colarinho amarelado que ele parecia estar usando a semana toda pelo menos. Tinha a barba malfeita e carregava uma mochila barata nas costas. Logo, tirou de lá de dentro uns três ou quatro livros, que nos distribuiu dizendo que eram seus e que custavam dé real cada um.
“Porra, cara, legal” “Puta que pariu, lindo” “Meu, tá muito bem feito”, foi o tipo de comentários vazios e um tanto abraçantes que fizemos.
Cavi e Pitt ficaram trocando idéia com o cara enquanto eu apenas fingia ler aquele troço.
“Cê tem um estilo meio Sakumaniano”, comentou Cavi, me dando uma olhada de canto de olho, o sacana filho da puta.
Uma pena que o cara não ouviu essa (ou fez que não ouviu)... gostaria de ouvir o que ele teria pra falar sobre este pequeno comentário a la Cavi do Bote.
Pitt apareceu com uma cópia do meu “Se espremer sai sangue” e o cara disse “Porra, que legal, velhinho!”, fazendo a maior cara de quem não tava nem aí e o folheando com se fosse algum manual de primeiro socorros ou a revista Caras.
Escritor é tudo uma raça de filho da puta mesmo... um esperando pra puxar o tapete do outro... um odiando o outro com o ódio mais profundo e distribuindo sorriso e tapinha nas costas ao mesmo tempo...
Continuaram conversando e eu até fiz uma ceninha toda, anotando o nome do cara no meu celular e depois o avisando que iria procurar pelo trampo dele na Internet... uma coisa nojentíssima de se presenciar. Acho que vi, inclusive, Cavi dando uma negativa com a cabeça; mas não posso ter certeza.
Agora, sinceramente, pelo pouco que li do cara na minha folheação de revistinha de farmácia, pude ver que tinha um estilo bem legal sim; não era nenhum idiota, apesar de aparentar um pouco ser um... assim como eu também aparento, tenho certeza mais do que absoluta.
Escritores não são grande coisa.
Acho que o cara se chamava Ricardo Carajo, alguma coisa assim.
13ª (e última) ida ao banheiro...
Estava eu balançando as gotinhas de mijo do meu pequeno caralho depois de ter mijado novamente, quando, sem se dar conta de minha pequena presença, entrou um cara que era grande como um armário, logo depois saindo ao ter ouvido meus protestos de “Ô, ô, opa!”.
“Puta, cara, foi mal! Nem te vi aí, brother!”, disse.
“De boa, cara, já tô saindo.”
“Tá meio escuro aqui”, comentou como quem comenta “Tá frio hoje, né?”.
“Sim, é, e eu sou meio baixinho e nem dá pra me ver direito aqui.”
“Qué isso, cara... Tu é pequeno mas é potente; né não? Falaí...”
Foi aí que eu notei que aquela conversa tinha todo o potencial pra ficar cada vez mais estranha. Então guardei o Júnior e já ia saindo, quando o armário me fez uma proposta um tanto indecente.
“Ei, quer que eu chupe seu pau?”
“Oi?... Acho que não entendi.”
“Vamos lá dentro; ninguém vai ver. Tá tudo escuro aqui.”
“Acho que eu não tô muito a fim hoje; fica pra próxima”, disse eu, meio que saindo de fininho.
“Qualé, japa... Quem não gosta de ganhar um chupadinha?”
“Até gosto, mas é que eu acabei de mijar.”
“Não ligo.”
“Fica pra próxima”, falei, e desci as escadas que pareciam ficar cada vez mais difíceis de descer.
Não comentei nada com Pitt ou Cavi.
Esse tipo de coisa vive acontecendo comigo.
Guilherme Sakuma – 05/03/2010
Eu poderia estar roubando ou matando, mas ao invés disso, estou escrevendo livros. Compra um, tio?:
http://www.clubedeautores.com.br/book/38932--Se_espremer_sai_sangue
http://www.clubedeautores.com.br/book/39611--Amor_e_outros_venenos
Cantor de churrascaria, casamento e funeral: www.youtube.com/user/GuilhermeSakuma?feature=mhum
Sentou na privada e o pezinho encostou no chão, já era (MSN):
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Siga; não paga nada e não dói nada: tripasecoracao.blogspot.com
eheheehauhauhauahuahuahaua
ResponderExcluirnão era bem um banheiro, mas um "mijeiro."
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